Comecei meu trabalho como músico há 20 anos, graças à Lei Rouanet. Não é fácil conseguir. Não fiquei famoso, mas aquele primeiro passo me permitiu construir parte da renda que me ajuda até hoje. Sou grato por isso. Já levantei bandeira política, inclusive de esquerda, até perceber que uma pessoa nunca consegue ser 100% de esquerda ou 100% de direita. É como um cristão, que nunca vai conseguir cumprir à risca todos os dogmas da religião que segue.Por isso, e por outros motivos, larguei mão das bandeiras. Não porque tenha me arrependido de ter defendido a esquerda, mas porque percebi que a vida é curta e que toda essa briga, no fim das contas, é uma grande bobagem. Os ideais, não. Só a briga. O extremismo. O fanatismo. Acho nociva essa batalha que travamos ao escolher lados e nos digladiarmos o tempo todo. Quando se é político ou militante, talvez não tenha jeito. Mas eu, como pessoa comum, acredito numa espécie de transformação silenciosa. Uma utopia, na verdade. Quando cada um de nós puder simplesmente silenciar, refletir e depositar aquilo em que acredita na urna, sem brigas, sem gritos e sem transformar o outro em inimigo, talvez cheguemos a um mundo que ainda não será perfeito, mas que já será mais digno e justo para todos. É claro que vai demorar. Se é que um dia vai acontecer. Continuo acreditando nas coisas em que sempre acreditei. Se sou de esquerda ou direita, não me importo. Se alguém afirma saber que lado é o meu, a paz esteja com ela, rs,rs,rs E continuo questionando tudo o que acredito. Se as mentiras são mentiras e se as verdades são, de fato, o que são. O outro acha que você está errado e ele está certo. Você acha que está certo e o outro, errado. Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão. E, nesse dia, percebi que, seja eu ou seja o outro, somente cada um de nós, por consciência própria, pode mudar a própria verdade e enxergar as próprias mentiras. Ninguém mais consegue mudar isso na gente. Só a gente mesmo.